Você sonha em viajar de moto? O que te impede de realizar essa aventura?

Conheça a história da motociclista Rayana Schneider, que depois de muito tempo prorrogando sua primeira viagem longa de moto, tomou coragem e decidiu se aventurar pela estrada, em um percurso de mais de 5mil quilômetros, durante 15 dias, na Janis, uma Yamaha MT-07.

“Eu queria fazer uma viagem longa há tempos e esse sonho ganhava mais força a medida que lia reportagens sobre motociclistas que iam a Ushuaia, ao Atacama ou viajavam o planeta, então em janeiro de 2017 decidi realizar o sonho. Muita gente, em especial as próprias mulheres, me chamavam de doida ou corajosa. Posso afirmar que existe muita gente boa nesse mundo e se eu fosse dar ouvidos ao que os jornais noticiam eu nem sairia de casa” disse Rayana.

Mesmo com muitas dúvidas durante o planejamento da viagem, como por exemplo o que levar e em qual quantidade levar, ou até quantos quilômetros seriam suportados em cima da motocicleta – afinal a naked não foi feita para esse tipo de viagem – Rayan saiu de Nova Venécia, ES, com destino a Foz do Iguaçu, passando por Brasília, sozinha.

Para se chegar a Brasília, primeira parte do percurso, foram necessários cerca de 1200km, passando pelo estado de Minas Gerais, os quais foram divididos em dois dias. O primeiro trecho de 750km, passando por Curvelo, ao invés de Belo Horizonte, chegando em Três Marias.

Da entrada de Pres. Kubitschek até Curvelo a estrada é excelente, parte dela compõe a Estrada Real e rodeada por belas paisagens, inclusive pelas imensos cata-ventos de uma usina eólica na beira da estrada. Nem acreditei quando vi! Eu havia estudado sobre aqueles imensos cata-ventos no curso de engenharia elétrica, mas nunca tinha visto nem de longe um!”, disse a motociclista emocionada.

Chegando em Curvelo ainda restavam 130km até Três Marias e uma dúvida na cabeça de Rayana. Será que ela aguentaria completar o percurso planejado? A resposta foi sim. Rayana seguiu em frente e no final do dia já havia rodado 767 quilômetros em menos de 13 horas.

No segundo dia de viagem, ao completar os cerca de 450km até Brasília, Rayana foi recebida com muito carinho pelos motociclistas da Capital Federal, especialmente pela motociclista Patrícia do MC Athos II, a qual conhecera em grupo no Facebook. O motociclismo é muito forte em Brasília e isso foi um suporte para mim. Passeei pela cidade, atravessei a ponte JK, visitei o memorial, a catedral, o estádio Mané Garrincha, a praça dos três poderes, a torre de TV, dentre outras obras de arte da arquitetura. Fiz diversos amigos e comi o famoso pequi. Passei 6 dias em Brasília e na quarta, dia 25, segui caminho rumo a Foz do Iguaçu, onde queria conhecer Itaipu e as Cataratas.”

Atravessando o estado de São Paulo, no trajeto com destino ao Paraná, Rayana passou a parte mais assustadora da viagem. Alguns quilômetros à frente, era possível ver no final da reta o céu coberto de nuvens cinzas, raios e trovões, acompanhado por uma forte ventania, que se tornava mais mais intensa a medida que a motocicleta ia ao encontro da tempestade.

Sozinha, no meio do nada e em perigo, a motociclista não se apavorou, ao contrário buscou forças dentro de si e começou a imagina como passaria por aquela situação.

“Meu problema não era a chuva e sim o vento. Caso a pilotagem ficasse compormetida devido ao vento, o plano era deitar a moto no mato bem longe de qualquer árvore, para não atrair raios e esperar passar a tempestade.

Por sorte a tempestade era uma grande nuvem e alguns quilômetros à frente o tempo estava limpo e Rayana seguiu sem motoperrengues até Foz do Iguaçu.

O Paraná era um desejo antigo meu, pois remonta minha família materna e por isso fiz questão de passar por Assis Chateaubriand, cidade natal da minha mãe. Eu esperava ver muito alemão no Paraná, mas quase não vi esses descendentes. O que vi foi uma terra onde o barro é bem avermelhado e há muita plantação de soja, além de pedágios altos. Em um dia de viagem cheguei a gastar R$ 40,00 só com pedágios no Paraná.”, comenta a piloto.

Ao chegar em Foz Rayana ficou encantada com as cataratas e com a recepção e tratamento dado aos turistas na cidade.

Para coroar a aventura, a motociclista fez o passeio completo pela Usina e também no Kattamaram. A dica é ir no último horário do Kattamaram para poder apreciar o pôr-do-sol. Imperdível para os turistas que visitam a Região.

Viajar mais de 5 mil quilômetros em uma naked pode ser desconfotável, mas não um impecilho para viajar. Afinal existem pessoas que, por exemplo, vão ao Ushuaia ou Atacama de 125cc.

No final dos 5.150 quilômetros, passando por 6 estados em 15 dias, Rayana chegou em casa mais forte e com a certeza de que existe muita gente boa neste mundo. “Não recomendo assistir as tragédias dos jornais, pois pode nos causar medo e o efeito “congelante” de não querer sair de casa, especialmente para nós mulheres”, disse.

Vídeo no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=R4oxGRVXwHg

Dicas
Veja as dicas e aprendizados da Rayana para outras motociclistas que queiram aventurar pelas estradas do Brasil e do mundo:

  1. Sempre leve dois pares de luva – uma de verão e outra de inverno.
  2. Caso sua bota não seja impermeável, leve outro par de botas, pois se em um dia de viagem uma molhar e não der tempo de secar no hotel você viajará com a seca no dia seguinte.
  3. Compre um apoio de mão para o acelerador.
  4. O uso de bolha também é um item que deve melhorar a velocidade de cruzeiro em pistas excelentes como a BR 040. O uso ou não fica a critério do motociclista.
  5. O desenvolvimento da viagem depende mais de dois fatores: da estrada (boa, ruim, retas, curvas, radares) e do tempo (tempestade, chuva, sol, névoa). Não depende tanto da moto ou do piloto como Rayana acreditava. A dica é: vá no seu tempo e “ande quando der para andar”.

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